Sábado, 14 de Janeiro de 2006

Lendas do Alentejo

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Há algum tempo que não posto nada sobre o meu Alentejo hoje, senti uma saudade imensa  daquela terra e daquelas gentes então decidi deixar-vos aqui duas das muitas lendas que conheço desde sempre.
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</font>Uma Luz Misteriosa
As histórias de lobisomens e de bruxas eram vulgares no meio rural tradicional.
Maus encontros com animais a horas tardias, doenças provocadas por mau querer (feitiçarias), filtros de amor (beberagens para atrair ou afastar paixões, visões, vozes, são elementos do vasto manancial do imaginário popular sobre forças maléficas.
Há, contudo, outro tipo de histórias que são comuns a várias aldeias e vilas do Alentejo.
É o caso da estranha luz que, de noite, acompanhava os viajantes (normalmente pastores, almocreves e, mais recentemente, tractoristas que de noite procedem às grandes charruadas).
Era uma luz que seguia o caminhante sem, contudo, o incomodar. Conheci algumas pessoas que afirmavam terem sido seguidas por essa luz. A luz acompanhava o viajante, seguindo a seu lado, parando quando este parava, e acompanhando a velocidade da deslocação.
Nenhuma das pessoas que conheci, e que afirmavam ter estado em contacto com o fenómeno, esboçou qualquer reacção. Para essa passividade contribuiu seguramente o facto de ser conhecida a reacção da luz quando atacada.
O fim da história que apresentamos é relativamente benéfico. Com efeito, noutras descrições, que a tradição popular registra, a luz, quando hostilizada, conduz à morte do atacante.




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A Lenda da Costureirinha
Entre as crenças que algum dia existiram no Baixo Alentejo, a da costureirinha era uma das mais conhecidas. Não é difícil, ainda hoje, encontrar pessoas de alguma idade, e não tanta como isso... que ouviram a costureirinha.
O que se ouvia, então? Segundo diversos testemunhos, ouvia-se distintamente o som de uma máquina de costura, das antigas, de pedal, assim como o cortar de uma linha e até mesmo, segundo alguns relatos, o som de uma tesoura a ser pousada. Um trabalho de costura, portanto.
O som trepidante da máquina podia provir de qualquer parte da casa: cozinha, quarto de dormir, a casa de fora, e até mesmo de alpendres. De tal modo era familiar a sua presença nos lares alentejanos que não infundia medo. Era a costureirinha.
Mas quem era ela? Afirma a tradição que se tratava de uma costureira que, em vida, costumava trabalhar ao domingo, não respeitando, portanto, o dia sagrado. É esta a versão mais conhecida no Alentejo. Outra versão afirma que a costureirinha não cumprira uma promessa feita a S. Francisco. Esta última versão aparece referenciada num exemplar do Diário de Notícias do ano 1914 em notícia oriunda de aldeias do Ribatejo.
Pelo não cumprimento dos seus deveres religiosos, a costureirinha fora condenada, após a morte, a errar pelo mundo dos vivos durante algum tempo, para se redimir.
No fundo, a costureirinha é uma alma penada que expia os seus pecados, de acordo com a crença que os pecados do mundo, o desrespeito pelas coisas sagradas e, nomeadamente, o não cumprimento de promessas feitas a Deus ou aos Santos podiam levar à errância, depois da morte.
Já não se houve, agora, a costureirinha? Terminou já o seu fado, expiou o castigo e descansa em paz? A urbanização moderna, a luz eléctrica, os serões da TV, afastaram-na do nosso convívio. Desapareceu, naturalmente, com a transformação de uma sociedade rural arcaica, que tinha os seus medo, os seus mitos, as suas crenças e o seu modo de ser e de estar na vida.
alentejo4.jpg
Este post foi recolhido de um site na net, no entanto, esta e outras lendas fazem parte das minhas memórias de infância. Recordo com saudade as noites passadas à beira da lareira, onde a minha avó, a minha mãe e algumas vizinhas, falavam nestas aparições e eu ouvia com os olhos bem abertos mas no fundo, com medo.


alentejo2.jpg >alentejo.jpg alentejo1.jpg

publicado por bitu às 22:54
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22 comentários:
De Anónimo a 16 de Janeiro de 2006 às 02:16
Boa noite doce menina, vim agradecer a sua visita ao meu mundo azul e dizer que vc.é e sempre será bem vinda, e para selar ofereço meu award e tbém meu selinho fideliade.
b.f.Fada azul
(http://rdomaniski.blog.uol.com.br)
(mailto:rdomaniski@uol.com.br)


De Anónimo a 16 de Janeiro de 2006 às 00:33
Só passei para deixar um beijinho e isto também... http://deltacat2.no.sapo.pt/Behappy.htmldelta
(http://deltacat.blogs.sapo.pt)
(mailto:deltacat@sapo.pt)


De Anónimo a 15 de Janeiro de 2006 às 20:36
Lendas, verdadeiras ou não ficam na história das vilas, cidades e países!Belos momentos se passam em familia a falar dessas historias!Beijo grande e boa semana!Gaybriel
(http://www.silenciosentido.blogs.sapo.pt)
(mailto:amor_amizade_1980@hotmail.com)


De Anónimo a 15 de Janeiro de 2006 às 20:17
Para conhecimento do autor e obviamente de que vier a ler, a lenda da custureirinha estendia-se também ali por todo o Alto Alentejo. Era tal a "certeza" que tantas pessoas tinham de a ter ouvido e com tanta veemência o afirmavam que quase se tornava obrigatório acreditar naquilo. Chagava a dar a impressão de que, os estúpidos ou pelo menos surdos, eram aqueles que a não ouviam. Desde que me lembro que sempre recusei acreditar em tais tretas mas aqui para nós que ninguém nos ouve não nego que senti alguns arrepios.João Chamiço
</a>
(mailto:tasajanela@sapo.pt)


De Anónimo a 15 de Janeiro de 2006 às 19:54
Primeiro que tudo isto de visitar os amigos fora de horas, tem como maior inconveniente o facto de os amigos terem partido de fim de semana.
Quanto às lendas, desde miúdo, quando não havia televisão nem electricidade, que eram tema de conversa ao serão, contribuindo para o terror que eram as noites em criança, cheias das sombras provocadas pela luz dos candeeiros a petróleo . A da costureirinha comecei a ouvi-la desde que vim para Lisboa e era tida como se daí fosse proveniente mas, como todas as outras, são lendas quase universais. Tenho até uma história curiosa passada quando eu tinha doze ou treze anos. Mandaram a um armazém de material de retrosaria, situado num terceiro ou quarto andar de um prédio da rua Augusta e, enquanto aguardava a minha vez de ser atendido tamborilava com os dedos no velho balcão de madeira quando um funcionário já velhote me pediu com um certo ar de pavor estampado no rosto que parasse porque lhe lembrava a costureirinha. Estávamos em meados da década de sessenta. Estas histórias sempre me deixaram (eu que nem sou muito dado a “coisas” religiosas) reticente.
Beijinho e boa semana.
José S.
(http://ruadobeco.blogs.sapo.pt)
(mailto:jgjs2@sapo.pt)


De Anónimo a 15 de Janeiro de 2006 às 18:53
Além Tejo, das tuas memórias, da tua alma, de ti. Obrigado por o partilhares aqui, aos meus olhos e aos de quem por aqui passa e te Adora. Bjinho Grande para Ti com imensa amizade da KikiKiki
(http://simplicidadesdocantinho.blog.pt/)
(mailto:lu.ki@sapo.pt)


De Anónimo a 15 de Janeiro de 2006 às 16:54
Toda manhã quando abrires os olhos, Diga a si mesmo que isso é especial. Todo dia, todo minuto, todo suspiro É realmente, um presente de Deus; Por isso viva a cada momento intensamente. Sorria sempre! Pois alguém pode estar Precisando do seu sorriso. A blz é o instante de eternidade Q pressentimos nas coisas. P/ se encontrar o caminho não Importa onde se estiver, mas sim onde Se quer chegar, o futuro pertence aqueles Que acreditam na blz de seus sonhos! Tenha uma excelente semana..!! Mellzinha
(http://www.mellzinha.blogger.com.br)
(mailto:mellzinhafeliz@hotmail.com)


De Anónimo a 15 de Janeiro de 2006 às 00:18
Olá Bitu. Adoro lendas e histórias da tradição popular. Conhecia de tradição oral a história da costureirinha e que não sabia ser alentejana. Que belas as imagens. BeijoMaria Papoila
(http://apapoila.blogs.sapo.pt)
(mailto:mantosilva@sapo.pt)


De vitalex_tt a 14 de Junho de 2007 às 15:21
olá pesquisei sobre a A Lenda da Costureirinha por incrível que pareça por conhecer a historia desde pequeno e a minha mãe também foi em tempos costureira...a minha mãe contava-me que ouvia esse tais sons descritos na lenda...mas eu como nunca fui muito espiritual não acreditava...achava que ela ouvia por ser um habito de trabalho e o cérebro a atraiçoa-se e a fizesse imaginar esses som...isto à uns 15 anos atrás ... depois ela deixou de ser costureira...já à 10 anos que ela não trabalha de costura...bem mas isso não interessa ...o certo é que à 3 anos atrás eu ouvi com toda a certeza uma maquina de costura e isso me deixou a pensar... ouvi muitas vezes ao deitar na cama antes de adormecer....parecia estar a 2 metros da cama tentava apurar de onde vinha o som e ele desaparecia mas depois distraia-me e voltava de novo.. tek... tek... tek... tek... .... e nunca tive uma explicação.. só sei que ouvi varias vezes e em vários dias, mas à uma coisa só consegui ouvir isso no quarto da minha ex-namorada...isso é que eu acho estranho...em minha casa nunca ouvi....esta historia é verdadeira...é só o que sei dizer neste momento tenho 25 anos ...por isso não é só os mais velhos que ouvem isso...obrigado por me deixarem deixar o meu parecer...


De ZeAlfredo a 12 de Julho de 2009 às 10:38
Sinceramente,
Eu acho que essa costureira sendo uma lenda alentejana deveria actuar na sua zona de influência,não no centro pais.Sou testemunho e afirmo que realmente existe.

Sem mais nada a dizer,
Zé Alfredo,


De Ronaldo da Silva Lisboa a 9 de Setembro de 2009 às 16:56
Sou brasileiro, mas, conforme se pode verificar pelo sobrenome, não descendo de japoneses. À respeito da lenda da costureira, conheço-a aqui no Brasil. Onde exatamente a ouvi, não lembro, mas o pano de fundo era a cidade de Lisboa. Por essa versão, tratava-se de pessoa de coração duro, e que se recusou a ajudar a um necessitado com o seu ofício, e ele veio a morrer no inverno. Assim, a alma da costureira foi sentenciada a jamais encontrar a paz, costurando sempre, pelas noites de Lisboa, até o final dos tempos.


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